
Como qualquer gestor ou técnico esportivo que já comandou times, houve equipes das quais sinto falta e outras das quais não sinto tanto.
Todas as boas equipes pelas quais passei tinham algo em comum: cooperação, alto grau de confiança mútua, propósito comum e profissionais extremamente autônomos (os “faixas pretas”).
Um caso de que gosto de lembrar foi um “B.O.” que tivemos na Aciaria em meados de 2007, se não me engano. Uma reação do aço líquido furou o forno e aquele metal desceu destruindo tudo até uns dois pisos abaixo.
Velho, havíamos acabado de voltar de uma parada programada. Quando me avisaram, durante a noite, que a situação estava crítica, corri para lá. Ao chegar, surpreendi-me com o estrago, mas o que me marca até hoje não foi isso: foi ver que todo o meu time da elétrica já estava lá ou chegando. E não fui eu quem ligou; eles se comunicaram entre si.
Minha função era não atrapalhar aqueles caras. Eu tinha tanta confiança neles que não me preocupava com os problemas que pudessem surgir; sabia que resolveriam. Missão dada era missão cumprida.
Com toda a galera reunida e o acesso à Aciaria liberado, orientei que cada um fosse para sua máquina “apadrinhada” e levantasse tudo o que era possível, além de calcular quantas pessoas seriam necessárias. Combinamos de nos reunir em 30 minutos para que cada um apresentasse suas necessidades.
Em situações assim, o comprador ficava à disposição da Manutenção para agilizar a compra de peças e serviços. Passei a lista de necessidades, incluindo mão de obra. Em poucas horas, tudo começou a chegar, inclusive um ônibus cheio de eletricistas e mecânicos terceirizados. Nosso prazo era de duas semanas.
Foi intenso, mas entregamos. E o melhor: sem acidentes. Naquela época, era comum trabalhar o dia inteiro, virar a noite e dormir na sala elétrica. Foi o que fizemos. Quem é da velha guarda sabe como é; naquele dia, meu turno foi de umas 30 horas.
Aciaria operando, partimos. Fomos para casa cansados, mas ilesos.
Ali nasceram amizades que perduram até hoje. Vários colegas alcançaram cargos de liderança; alguns já estão aposentados com mérito. Sem dúvida alguma, aqueles profissionais estarão sempre entre os melhores com quem já trabalhei. Pensei em usar o termo “liderei”, mas seria presunçoso demais.
Aprendi que equipes de alto desempenho precisam ter os “faixas pretas” e aquelas pessoas que desejam ser “faixas pretas”. Gente certa no lugar certo. Gente com brilho nos olhos. Se não temos pessoas assim no time, devemos buscá-las. Meu primeiro gerente dizia:
”Sempre tenha lugar para gente boa, nem que custe deixar alguém ser feliz em outro lugar.”
Faz todo sentido.
Contrate bem. Treine bem. Remunere bem. Seja justo, confiável e conheça cada um deles. Isso gera confiança mútua. Goste de gente. Conheço pessoas em cargos de gestão que não gostam de pessoas. Adoram o cargo, o status e a remuneração, mas não inspiram ninguém. Aprendi há muitos anos que não há nada pior do que ter um líder que não te inspira.
Sejam os melhores naquilo que fazem; não se contentem com a mediocridade.
Valeu, galera! E você, tem um caso de sucesso na sua trajetória? Conte para nós. Vou adorar compartilhar sua história.