
Todo time de alto desempenho tem que ter uns caras assim; são aqueles que chamo de “Faixas Pretas”, os pilares da manutenção. Estão cada vez mais raros, pois os que estão chegando perderam em qualidade no ensino técnico e até mesmo no propósito.
Os faixas pretas são exigentes consigo mesmos e, portanto, exigentes com quem trabalha com eles, e isso gera alguns conflitos de gerações muitas vezes. Vi isso acontecer muitas vezes.
Todos gostamos de trabalhar, ou mesmo de conviver, com pessoas parecidas com a gente. Dizem que, como gestor, você não deve ter preferência, mas isso acaba acontecendo e, quando se tem faixas pretas no time, esta preferência vai acontecer mais cedo ou mais tarde.
Antes, gosto de balizar. Conhecem a metodologia ou filosofia do CHA? A metodologia CHA é uma abordagem de desenvolvimento de competências que se baseia em três pilares: Conhecimento, Habilidade e Atitude. Trata-se de saber, saber fazer e querer fazer — três fatores que afetam diretamente o desempenho de um profissional em suas atividades.
Guardem isso: Competência = Conhecimento + Habilidade + Atitude.
Vou tentar dar algumas dicas de como se tornar um faixa preta e ser esta pessoa difícil de substituir:
- Sejam curiosos ao extremo e famintos por conhecimento. Quando estiverem com quem tem mais conhecimento, perguntem sempre o porquê de isso ser assim, como funciona; tentem fazer vocês mesmos ao invés de só ficar olhando. Adulto aprende fazendo, lembrem-se disso.
- Dominem os fundamentos da sua profissão. Seja o que for, não façam sem saber o que estão fazendo; sejam curiosos e técnicos. Usem normas, catálogos, manuais. É péssimo quando pergunto: “O que está fazendo? Para que serve…?” e a resposta é: “Não sei, fulano me pediu”. Desde o funcionamento de uma lâmpada (sim, tem profissional que não sabe) até o dispositivo mais complexo, conheça o funcionamento.
- Os faixas pretas respeitam quem tem atitude e humildade. Se não perguntar nada ou dizer que já sabe, isso demonstrará falta de respeito. Seja qual for sua função ou profissão, sempre haverá pessoas que conhecem demais daquilo que fazem; então, seja humilde e terá o respeito de todos. Conheci gente que dizia: “Tranquilo, isso eu sei”; então eu deixava fazer, e muitas foram as vezes em que ficava uma bosta. Isso é a habilidade. Saber fazer.
- Existe uma filosofia muito aplicada no STP (Sistema Toyota de Produção — estudem isso) e artes marciais, que cita os termos em japonês SHU HA RI, e que tem tudo a ver com isso que falo com vocês, independente de sua profissão.
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- Shu-Ha-Ri é o termo utilizado para descrever o processo de aprendizagem e o caminho para se tornar um mestre em uma determinada área.
- Ela é dividida da seguinte maneira:
- SHU: Seria o momento em que queremos adquirir uma nova habilidade e devemos ter disciplina para absorver os novos conceitos em torno dessa nova habilidade. Ou seja, devemos entender e seguir a risca aquilo que o nosso mestre nos ensina, sem nos questionarmos, até que a habilidade se torne natural.
- HA: Nessa fase, possuímos uma bagagem ampla com relação à nova habilidade e começamos a nos questionar quais as razões de cada detalhe envolvendo a habilidade e a relação que ela possui com outras habilidades, além de adaptá-las da melhor maneira no contexto envolvido.
- RI: Esse é o momento em que o aprendiz se torna o mestre, com um maior autoconhecimento e know-how. Nesse momento, para-se de procurar a resposta em outros mestres e inicia-se a fase de adaptação e testes para criação de novas técnicas. (Fonte: https://medium.com)

Com base nisso, domine o básico e vá evoluindo para criar sua própria forma de fazer. Seja insistente e faminto por conhecimento sempre, mas sem perder a atitude aprendiz. Tenha em mente que ser especialista alavancará muito mais sua carreira se comparado a um generalista.
Minha filha, Beatriz, me ensinou este pensamento: “O que ainda é possível melhorar aqui?” e é isso que faço todos os dias, mesmo já tendo 40 anos na profissão.
O que ainda é possível melhorar na sua área, no seu conhecimento, na sua casa? Tudo começa com a ATITUDE. Conheço vários caras que têm diplomas pomposos e que não são tão bons ou estão bem distantes de faixas pretas que não tiveram a melhor formação. E sabem por quê? ATITUDE.
Existe uma frase que gosto muito e se aplica tanto ao mundo corporativo quanto à vida: “Quem tem que dizer quem você é são os outros”. Claro que vão pensar: “Como assim? Devo me importar sobre o que pensam de mim?”. A intenção aqui é provocar vocês a pensarem. O que realmente tem peso? Eu dizer que sou “top” em alguma coisa ou pessoas que merecem meu respeito dizerem: “Aquela pessoa é ‘top’ naquilo que faz”?
Como pessoas, como pais, como filhos, entendam isso e serão as pessoas difíceis de substituir; serão aquelas pessoas que criarão um legado gigante por onde passarem.
Bora começar a fazer… Propósito não é nada sem ação.